Esopo


Fedor Flinzer,1897

O Lobo e o Cordeiro

Uma vez o Lobo estava na colina bebendo água do riacho. Olhou para baixo e viu o Cordeiro fazendo a mesma coisa. Lá está meu jantar, ele pensou, é só arranjar uma razão para apanhá-lo. E gritou para o Cordeiro. Como você ousa sujar a água que estou bebendo? Espera aí, meu senhor, disse o Cordeirinho, como vou sujar sua água se ela vem correndo daí pra cá? Está bem, respondeu o Lobo, mas porque você andou me xingando o ano retrasado? Essa não, disse o Cordeiro,  eu não tenho ainda seis meses. Não importa, se apressou o Lobo, não foi você, foi seu pai. E tibum! Comeu o Cordeirinho inteiro.  Só deu tempo do coitado suspirar. A razão do mais forte é sempre mais forte.
(Tradução de Angela-Lago)

Depois desta tradução, cruelmente ilustrada com o lobo fanfarronando de farda no bar, seria bom ler a versão de Manoel Bernardes: uma pérola. Depois, comparar com a versão de La Fontaine. Escutar em real-audio , ler mais uma, quem sabe uma por dia, discutir online a moral... Você tem mil opções na Internet. E vale a pena se aproximar desse contador de histórias que nasceu escravo em  620 A.C. e acreditava que riso e sabedoria podiam andar juntos.

Mas lembre-se que muitas fábulas atribuídas a Esopo não são de sua autoria. A primeira coleção das suas  fábulas, feita por Demetrius de Phalerum, em 320 A.C., continha apenas duzentas das setecentas que circulam hoje.
 


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